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"Molesta aquilo que é crítico e busca algo diferente á cidade-postal que eles tenhem predefinida"

Marcos Pérez PenaMarcos Pérez Pena | @marcosperezpena


Em junho de 2010 a associaçom cultural a Gentalha do Pichel foi sancionada pola Cámara Municipal de Compostela com umha multa de 1500€ por colocar umha faixa na praça na qual se celebrava a cacharela. Nela podia-se ler "na Galiza só em galego"; a segunda parte da sançom fôrom mais 300 € por exceder, supostamente, o horário permitido. Esta multa de 1500 € por "ocupaçom indevida da via pública" está imposta polo anterior bipartido e executada polo presente governo municipal. Nesta segunda-feira terá lugar o julgamento contra a associação, que propôs que este dia fosse declarado Dia do Asociacionismo Cultural. Falamos con Maca Igrejas, activista da Gentalha do Pichel

Como valorais a acusação concreta que agora se vos faz, e que leva a este julgamento?

Em Julho de 2010 chegam-nos duas multas do Concelho, as duas por causa da celebraçom do Sam Joam, na noite do 23 de Junho. Aplicam-nos a máxima sançom por “ocupaçom indevida da via pública” catalogando-a de infracçom grave no mesmo nível que a 'conduçom negligente e temerária' ou a 'omissom de auxílio em caso de socorro'. É evidente que pendurar umha faixa numha parede nom tem muito a ver com este tipo de infracçons. Por outro lado responsabilizam-nos de nom ter despejado a praça à hora que devia rematar a festa, nom todo o mundo dispom de “antidistúrbios” para tal mester...

A partir desse momento desenvolvemos umha campanha de protesto denunciando a situaçom e recorremos duas vezes pola via administrativa a sançom mas o concelho nom achegou as provas que se solicitavam ou umha resposta ao nosso recurso, simplesmente dixo que 'nom o aceitava'. Assi que decidimos optar pola via judicial. O proceso é custoso e esgotador mas achamos que nom podemos aceitar tal abuso de poder sem tentar defender-nos. Desde o nosso ponto de vista nom há dúvida de que se trata dumha ordenança que permite sancionar entidades à vontade das administraçons, e com sançons que podem resultar, por serem tam elevadas, impossíveis de pagar por muitos colectivos, podendo implicar a sua desapariçom.

"Poderia custar entender como umha pessoa envolta em escándalos de todo tipo podia sair eleita mas a verdade é que hai já algum tempo em que a falta de lógica, a corruçom, a fraude, a censura e um largo etc apoderaram-se dos governos"

Que efeitos está tendo para a imagem de Compostela como cidade a actividade de Conde Roa?

Poderia custar entender como umha pessoa envolta em escándalos de todo tipo podia sair eleita mas a verdade é que hai já algum tempo em que a falta de lógica, a corruçom, a fraude, a censura e um largo etc apoderaram-se dos governos, em Compostela e em toda a parte. Antes como representante do PP local e agora como alcalde este home nom defrauda as expectativas que tínhamos sobre el, deixa bem claro quem é e o que quere. Fai-se com a cidade e nega o livre uso das ruas (a nom ser para as processons de Semana Santa). Recorta, quando nom elimina, o apoio para as actividades que ele denomina 'culturetas' isto é, aquelas que na sua mente representam algum risco de pensamento crítico e sobre todo se é em galego (deve ser que nom promociona aquilo que nom entende como ficou evidente na sua asistencia à ópera El barbero de Sevilla). Elimina o apoio aos desportos municipais e populares enquanto tenta hipotecar o concelho com outros macreoeventos desportivos... E mentres o seu partido recorta em projetos sociais e públicos, as taxas de paro continuam a subir como sobem os impostos, ele enriquece-se e estafa a fazenda.

Não vos resulta curioso que um alcalde que é denunciado por defraudar 300 mil euros a fazenda vos congele as contas?

Bom, temos que matizar que, ainda que foi durante o governo de Conde Roa que se efectuou o embargo de 2200 euros da conta da Gentalha, foi o governo anterior quem pujo a sançom e enviou a orde. Neste caso a política municipal duns e de outros foi similar: a promoçom dumha cidade virada no turismo religioso, que potencia sectores produtivos geradores de empregos precários e umha visom folclórica da nossa cultura e que pune aquilo que lhe resulta 'revoltoso' ou 'incontrolável'.

"Queremos um espaço cultural distinto em Compostela, 100 % em galego e nom submetido às instituiçons"

Em que consiste a campanha para declarar o 9 de abril Dia do Asociacionismo Cultural?

O dia 9 de abril é o dia do juízo em que a Gentalha demanda ao Concelho solicitando a nulidade do embargo que nos foi practicado. É por isto que é o dia escolhido para celebrarmos a nossa independência e a nossa maneira fazer e entender o Associacionismo cultural. Com a celebraçom desta data pretendemos chamar a atençom das pessoas que simpatizam com o nosso projecto cultural, sensibilizá-las sobre a importáncia de a gente participar nele do jeito que poda, já que é esta populaçom a que nos proporciona a independência e a força para resistir e seguir construindo. Queremos um espaço cultural distinto em Compostela, 100 % em galego e nom submetido às instituiçons. Precisamente por esta razom precisamos somar mais associados e associadas; para dar-nos estabilidade e permitir-nos enfrentar este tipo de embates com mais solvência.

"Molesta aquilo que é crítico e busca outra cousa mui diferente a cidade-postal que eles tenhem predefinida para umha sociedade adormecida, devota e turistificada"

Por que molesta tanto a actividade da Gentalha?

A Gentalha do Pichel, como associaçom cultural leva mais de sete anos de trajectória. Desde entom até a actualidade continua a desenvolver o projecto inicial de dinamizar a vida social e cultural da cidade compostelana oferecendo e reivindicando umha cultura e um lazer alternativo, em galego e autogerido. A recuperaçom da memória histórica roubada, o conhecimento e defensa do meio natural ou a vontade de viver plenamente em galego fam parte dos objectivos de trabalho. E porque lhes molesta? Porque ser autogeridas implica nom pedir-lhe permiso a ninguém para fazer cultura, mas nom essa alienante ou que nos nega como povo senom valorizar a criatividade e a crítica na nossa língua desde nós e para nós. Porque recuperar a memória histórica implica, por exemplo, dar visibilidade a pessoas como a leiteira de Calo, as Marias, Joam Jesus Gonçales, Ángelo Casal..  loitadoras anónimas que fam parte da história de Compostela e que os de acima nos quigérom fazer esquecer... as suas raçons terám... Também implica por exemplo, sinalizar os petróglifos presentes em Conjo, o Pedroso, vítimas do desleixo do concelho, esquecidos porque nom dam ganho nem enchem milionários mausoleos da 'Cultura'.

Porque conhecer e respeitar o meio implica denunciar projectos da política municipal como o plano especial das Branhas de Sar que pretendem eliminar um espaço natural na cidade para fazer uns jardins e especular a vontade. Implica, por exemplo, conhecer a nossa toponímia, deturpada polo desleixo de quem prefere esquecer os nomes populares a praça do pam, da peixaria velha, a rua de baixo.. que lembram a actividade da gente popular, porque preferem renomear ao seu gosto com ruas mais fieis às suas simpatías como rua El Correo Gallego ou Manuel Fraga. Em definitiva, molesta aquilo que é crítico e busca outra cousa mui diferente a cidade-postal que eles tenhem predefinida para umha sociedade adormecida, devota e turistificada.

Ora bem, o que nom compreendemos muito bem é que sejamos molestas para outras instituiçons que transcendem o ámbito local. A recuperaçom da figura do esquecido Apalpador através da metodologia científica atual (diametralmente diferente à empregada por Risco ou Cuevilhas para tratar o tema do celtismo em Galiza), fijo gastar tinta ao independentista presidente dumha dependente instituiçom... Brincadeiras á parte, as únicas culturas que nom criam ou re-criam mitologia som as culturas mortas; o que nom se nos perdoa a nós é criarmos cultura viva, muito mais -para setores culturais claramente identificáveis- se é com NH.

"Começamos com umhas dúzias de pessoas associadas e agora somos mais de 200"

Que é o que mais valorais dos anos que a Gentalha leva em funcionamento?

A cantidade de actividades, propostas e novas iniciativas que vam surdindo; o contacto com a gente do bairro ou a implicaçom da gente a nivel activista e a nivel económico para além de escrevermos como o fazemos... Começamos com umhas dúzias de pessoas associadas e agora somos mais de 200, pensamos que O Pichel é já um centro social de referência no ámbito do movemento social e cultural em Compostela. A Gentalha é um projecto 'viável' porque fazemos actividades diferentes que interessam e achegam a gente com diferentes interesses sem termos que dar contas a ninguém, o que enriquece o fluxo criativo. O único que desestabiliza ao colectivo é o esforço do governo municipal em fazer-nos desaparecer. Nom é este o primeiro golpe económico que o concelho nos dá, hai um par de anos fôrom 10000 euros que tivérom que ser conseguidos para pôr um elevador em pouco mais dumha semana assim como outras sançons. Afortunadamente sempre houvo gente disposta a ajudar um pouquinho, pessoas particulares, artistas, colectivos...

O projecto mais recente e que fai parte do presente e do futuro próximo da Gentalha é a escola de ensino galego Semente

Quais são os projectos de futuro do centro?

O certo é que o projecto mais recente e que fai parte do presente e do futuro próximo da Gentalha é a escola de ensino galego Semente. A Semente é umha escola para crianças entre 3 e seis anos que abriu o passado outubro e que também funciona como ludoteca de tarde. Achamos que era preciso dar mais um paso e dar resposta a umha necessidade real que é o da possibilidade de escolarizar as crianças em galego e de forma respeitosa com o seu ritmo de aprendizagem. A Semente entende a escola como parte integrante da sociedade e pretende servir aos interesses populares garantindo um processo de ensino-aprendizagem democrático e fazendo possível que as crianças sejam cidadás livres e críticas. É também o espaço dumha pedagogia transformadora que defende no ensino: coeducaçom, laicidade, assemblearismo, interaçom com a natureza, respeito pola autoregulaçom da criança, integraçom no contexto do seu bairro e da cidade. É um projecto custoso mas ilusionante e necessário no momento que esta a viver o ensino, convertido desde acima num meio castelhanizador e uniformizador.

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