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Pepe Arias

Ferramentas para umha nova cultura política

Assumir-se ou nom, a irrupçom de AGE constituiu um verdadeiro terramoto político na Galiza porque mostrou o caminho para desterrar a precária maioria conservadora liderada atualmente por Paula Prado e Núñez Feijóo

Nestes momentos, o entendimento da esquerda e do nacionalismo já é umha demanda da maioria social. Assumir-se ou nom, a irrupçom de AGE constituiu um verdadeiro terramoto político na Galiza porque mostrou o caminho para desterrar a precária maioria conservadora liderada atualmente por Paula Prado e Núñez Feijóo. A primeira, colega de aventura política com vários imputados por suposta corrupçom no concelho, hoje encontra-se em liberdade sob fiança. E o segundo, preso pelas fotos que todos pudemos olhar com indignaçom nos passados dias. A direita política está a sofrer um descrédito social crescente: nas suas próprias bases estám a se produzirem casos de afetados pelas preferentes e, por outro lado, também mudou o perfil de gente a se mobilizar para parar os despejos e a protestar em frente das entidades bancárias.

Nom conseguiremos desterrar a direita deste país sem essa conversa permanente da esquerda com a sociedade, sem prejuízos e com a cabeça bem aberta

Mais que nunca, os espaços de participaçom direta som necessários. O fim do relato da transiçom vem marcado pela demanda cidadá de aprofundar na democracia. Se as organizaçons da esquerda política nom o perceberem ou, se cometerem a imprudência de nom  tomarem a sério este problema, correremos o risco de perdermos a oportunidade para sermos ese alto-falante das demandas concretas e de acompanharmos esse processo de empoderamento social. As alternativas programáticas a serem apresentadas devem partir dum diálogo permanente e prolongado com os movimentos sociais e as diferentes associaçons de afetados por produtos financeiros e pelos despejos. Nom conseguiremos desterrar a direita deste país sem essa conversa permanente da esquerda com a sociedade, sem prejuízos e com a cabeça bem aberta.

A construçom desde abaixo nom pode ser um reclamo casual mas, ao contrário, tem de ser o instrumento central para garantir a soberania nas decisons de grande interesse político

Nom podemos dar passos para trás, nem perdermo-nos em debates inservíveis e estreitos. Nom vamos ter muitas mais oportunidades se agora falharmos. Nestes momentos temos de aprofundar sistematicamente na territorializaçom. A construçom desde abaixo nom pode ser um reclamo casual mas, ao contrário, tem de ser o instrumento central para garantir a soberania nas decisons de grande interesse político, nom apenas a nível local e comarcal, mas, também, aquelas a nível nacional, ou que supuserem a formaçom de listas para datas eleitorais concretas. Instrumentos tais como as listas abertas, formadas por pessoas propostas nas assembleias locais e comarcais, ou as Conferências Setoriais que funcionem como dispositivos a garantirem que as linhas estratégicas dumha organizaçom possam ser debatidas e  socializadas de maneira absolutamente democrática. Abrindo também as portas da forma-partido para aqueles movimentos e associaçons que têm coisas importantes que achegar-nos, e que por diferentes motivaçons e leituras concretas do seu papel dentro da nossa sociedade nom operam nos nossos parâmetros político-ideológicos. Talvez nom seja boa coisa ter pressa por construirmos a organizaçom - que também! -, mas por criarmos complicidades na hora de constituirmos espaços concretos de atuaçom que sejam o motor dum verdadeiro poder popular. Nenhum partido o fará e também nom umha mesa de partidos, mas, ao contrário, a soma de agentes políticos e sociais  variados, de formas diferentes de perceber a pluralidade da esquerda política e social no nosso país.

A consciência crítica deve ser exercida também nas encruzilhadas que se nos apresentem. Nom faz sentido nenhum a repetiçom do que se criticava a outros

Temos de anovar e inovar em transparência e em horizontalidade, demostrando também estes mecanismos serem operativos para oferecerem respostas imediatas aos graves problemas que hoje estamos a sofrer. Em minha opiniom, nom existe volta atrás. A consciência crítica deve ser exercida também nas encruzilhadas que se nos apresentem. Nom faz sentido nenhum a repetiçom do que se criticava a outros. A sociedade demanda-o e outras alternativas nom têm a capacidade de nos entusiasmar. Nem conseguem mesmo chegar à nossa sociedade como algo limpo, aberto e verdadeiramente novo. Sem pensar que temos todas as soluçons, dispostos a aceitar os argumentos doutras companheiras. É aqui que penso de devemos caminhar.

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