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Pepe Arias

AGE como espaço de representaçom

Quando umha ideia colhe força numha comunidade, deixa de ser propriedade de quem a formula e passa a ser património de quem a defende e ampara. No caso de umha proposta política, o melhor termómetro para medir a implantaçom de um projeto som os resultados eleitorais e em menor medida os inquéritos. Nesse sentido AGE já nom pode entender-se a nível social como um acordo entre partidos políticos, tampouco como umha simples coligaçom: nestes momentos AGE forma um novo espaço de representaçom aberto, plural, que situa diante de todo a defesa dos nossos direitos sociolaborais e que recupera da velha esquerda, em positivo, a preocupaçom polos de abaixo. Defender como o fai AGE a educaçom e a sanidade, os serviços sociais, as políticas de emprego e o setor naval, as pessoas que ficam sem lar e as/os preferentistas, som elementos que vinculam perfeitamente a defesa de reformas concretas com a necessidade de mudar este sistema económico e este regime corrupto em processo de descomposiçom. Assim o entendemos e praticamos durante a campanha do há que pará-los e assim também o entendêrom as pessoas que nos apoiárom para  cumprir o prometido: desalojar a direita de Sam Caetano.

AGE já nom pode entender-se a nível social como um acordo entre partidos políticos, tampouco como umha simples coligaçom: nestes momentos AGE forma um novo espaço de representaçom aberto, plural

A crise de representaçom, a desafeiçom política que existe no conjunto da nossa sociedade é um elemento que condiciona todo o nosso trabalho político. Se bem é normal que gente que oscila entre PP e PSOE pense que todos os políticos som iguais, faríamos um fraco favor à esquerda da naçom se nom analisáramos este elemento vinculado a nós próprias. Os partidos políticos da esquerda passárom de serem disciplinadores sociais em funçom de umha estratégia e de umha tática, a serem aparelhos de gestom administrativa e de reparto de recursos. Mesmo aquelas organizaçons que nom passárom polo aro da Transiçom chegárom a viver este processo, condicionado por umha desconexom brutal entre a direçom e as bases. A esquerda transformadora, a que busca mudar as cousas de raiz, dirige o seu discurso a um espaço social precarizado mas formado na fábrica de desempregados/as em que converteram a universidade pública, que nom aceita marcos de atuaçom política se nom é quem de influir na tomada de decisons. Quando falamos de nova cultura política nom pretendemos clandestinizar a ideologia, mas criar mecanismos em rede que permitam otimizar recursos, empoderando a maioria social para assim enfrentar este sistema corrupto e criminoso. As ideias tenhem consequências, e nom podemos artelhar umha resposta ampla às políticas da direita com esquemas esclerosados, que nom empoderem ao povo trabalhador galego.

Nom podemos instalar-nos em debates reducionistas entre apostar por ANOVA ou por AGE quando parece evidente que ambos os dous se precisam mutuamente

Existe umha interdependência entre espaços políticos diferentes, e sem ela nom podemos compreender os processos sociais em curso. Num momento em que é a própria sociedade a que desborda os marcos políticos das organizaçons e busca novos dispositivos de construçom de poder popular, nom podemos instalar-nos em debates reducionistas entre apostar por ANOVA ou por AGE quando parece evidente que ambos os dous se precisam mutuamente para nom ficar reduzidos a umha expressom minoritária ou mesmo marginal na nossa sociedade. Isto poderia acontecer se entrarmos na lógica política da que foi organizaçom hegemónica do nacionalismo galego até Ámio, impedindo que se construa um outro relato diferente do soberanismo e do independentismo para o século XXI e ficando condenada a ser mais umha reformulaçom do autonomismo.

Nunca como agora a influência das posiçons independentistas, em espaços políticos diferenciados, foi tam importante como nestes últimos meses

Nunca como agora a influência das posiçons independentistas, em espaços políticos diferenciados, foi tam importante como nestes últimos meses. Atreveria-me a dizer que passamos de representar um movimento marginal e sem influência na luita de massas –excepto fundamentalmente no mundo sindical e no trabalho cultural– a nos converter num espaço minoritário mas qualitativamente influinte nos debates centrais para o futuro da esquerda da naçom. As nossas diferenças residem em como estabelecer as alianças para avançar na criaçom de umha maioria social que caminhe decididamente na defesa dos direitos sociais e nacionais do nosso povo. Infelizmente estamos mui longe de poder consquistar a República Galega que queremos, polo que tanto a conformaçom e construçom de ANOVA como a implosom de AGE deixam um espaço aberto que ajudamos a consolidar, e que nom podemos abandonar. A folha de rota da oligarquia espanhola passa por voltar a um modelo de Estado centralista onde as formulaçons federalistas e autonomistas nom poderám ser aplicadas, ou de o serem, contarám menos capacidades ainda das que tenhem neste momento, polo que a Galiza voltará a se envolver em lençóis de mil anos. A nom ser que assumamos nas próximas décadas a necessidade da independência nacional como único meio efetivo para a nossa sobrevivência como comunidade. E para isso precisamos somar forças.

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