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Paula Rios

No 7 de novembro eu vou à Marcha Contra as Violências Machistas

No 7 de novembro de 2015, às 12h, mulheres e coletivos feministas marcharemos juntas em Madrid para exigir que a luta contra as violências machistas seja uma Questão de Estado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 35% das mulheres do mundo sofreram violência doméstica ou violência sexual em algum momento da sua vida. 38% dos assassinatos de mulheres são cometidos pelo seu casal. A cada ano são assassinadas 5.400 mulheres na Europa. No Estado espanhol, a média de feminicídios é de 70 ao ano.

No que levamos de ano contaram-se 77 feminicídios e outros assassinatos de mulheres cometidos por homens: só no verão de 2015 foram assassinadas 37 mulheres e 8 menores a mãos de seus casais, pais ou casais das suas mães. Mulheres e menores sofremos violência patriarcal em múltiplas formas. E isto só é a ponta do iceberg.

Ainda assim, quando falamos de terrorismo machista, de homens que assassinam mulheres, temos que escutar falácias como que as mulheres interpomos denúncias falsas contra dos homens. Mas -segundo a Fiscalia Geral do Estado só 0,018% o som; a percentagem mais baixa dentre todos os delitos do Código Penal.

A crise e os cortes deixaram-nos em situação de maus tratos; totalmente desprotegidas, sem recursos, sem habitação. À conta do maltratador, ao que aliás -na maioria dos casos- a justiça lhe entrega a custodia das criaturas, alegando que foram objeto de manipulação pelas suas mães para os por em sua contra.

Esta é a mesma justiça, a mesma polícia que permite que uma criança de dez anos seja assassinada quando o seu assassino tinha quatro denúncias por maus tratos. A mesma que permite que Isabel -hospitalizada pela brutal agressão sofrida a mãos do seu homem- seja assassinada no hospital, quando havia indícios bastantes para o deter, para ditar uma ordem de afastamento, para protegê-la.

 

Estamos fartas!

Os obstáculos judiciais, a desproteção, a falta de formação e sensibilidade de todo o pessoal que intervém no processo, a descoordenação, a falta de recursos assistenciais, o medo a perder a custodia das criações, são só alguns dos obstáculos com os que se encontram as mulheres em situação de maus tratos. Paradoxalmente, o Governo -o mesmo que com o seu desinteresse as deixa abandonadas à sua sorte- dirige mensagens otimistas com a sua campanha de prevenção "Há saída".

Desde o movimento feminista organizado exigimos um compromisso real de todas e cada uma das forças políticas na luta contra o terrorismo machista, a sua consideração como uma questão de Estado com a adoção urgente de medidas para parar esta barbárie. O restabelecimento e dotação dos meios necessários para a prevenção da violência de género e para a assistência integral de todas as mulheres em situação de maus tratos.

 

A nossa denúncia é constante: nos médios, nas ruas

Há anos que as mulheres estamos a lutar nas ruas para festejar e para reclamar, para encontrar-nos e para indignar-nos, para cantar e para berrar. Esta é a nossa força: a vontade de mudar o mundo junto com a alegria de viver nele. Esta é a força do movimento feminista: converter a pluralidade em união, assumir a força da diversidade e nos juntarmos para mudar o mundo.

Após dois anos reclamando o direito a decidir sobre nossos corpos e ver como se converte em moeda de troca para manter certa parcela de voto ultraconservador, as mulheres, as mulheres feministas, aprendemos que devemos situar as nossas reivindicações como prioritárias na nossa agenda. Vivemos em tantas ocasiões o "agora não toca" como para saber que sim, que já toca.

E não vamos aguardar mais. Agora somos nós as que estabelecemos a nossa própria agenda, exigindo que partidos e a sociedade tomem consciência, se impliquem e incluam a luta contra o feminicídio nas suas agendas. As vulnerarão de direitos específicos que nos ocorrem pelo feito de mos ser mulheres precisam de compromissos muito concretos. Um deles é o direito a vivermos uma vida livre de violências machistas, uma emergência social que faz com que o número de assassinatos aumente com a cada recorte do governo do Partido Popular.

As mulheres organizadas na Plataforma Feminista Galega apoiamos a mobilização convocada pelo Movimento Feminista o 7 de novembro. Uma mobilização Contra as Violências Machistas na que a consigna é uma: a rejeição a qualquer forma de violência machista, a exigência de medidas urgentes pelos governos, a adoção de compromissos concretos por parte dos partidos políticos e a tomada de consciência da sociedade. Porque uma sociedade que permite que nos assassinem por sermos mulheres é uma sociedade enferma.

Esta mobilização -nada da raiva e a indignação ante a impunidade de tanto machista assassino e a impassibilidade de governos e sociedade- mobilizará aos feminismos de todos os povos do Estado, será um só berro de condenação e uma exigência: Chega de violências machistas e de inação por parte da justiça e dos governos! Nem um feminicídio mais!

As mulheres somos mais da metade da população e, contudo, as nossas vidas parece que não valem nada por isso o 7 de novembro saímos às ruas. É a nossa marcha, são as nossas vidas. Por isso eu vou, e tu?

*Caso querer participar tens toda a informação em: http://feminismo.eu/pfg/participa-na-marcha-do-7n-a-madrid/

Acerca de Paula Rios

Integrante da Plataforma Feminista Galega.