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Joám Lopes Facal

Antom Árias, umha figura prometedora

Para quem nom siga as vicissitudes do mundo empresarial, e para os que defendem atitudes preconceituosas sobre o conjunto do empresariado creio conveniente transmitir-lhes que o tal colectivo -afinal impregnado do debate social diário- admite notáveis excepçons. Refiro-me neste caso a Antom Árias -ao qual nom conheço- que acaba de ser eleito a princípios do presente ano presidente da Confederaçom de Empresários de Galiza, CEG.

A tarefa que o espera nom parece mui estimulante; a situaçom económica da Confederaçom é inquietante e o enfrentamento entre as secçons provinciais o pam de cada dia. De facto, o novo presidente foi eleito apenas com o apoio das federaçons de Lugo e da Corunha e a aberta oposiçom das de Ourense e Pontevedra. O seu antecessor na presidência, o ourensano António Dieter Moure, viu-se obrigado a demitir ante a impossibilidade de harmonizar contas e facçons em conflito irredutível.

Polas primeiras manifestaçons, Antom Árias parece um homem seguro de si mesmo, com pensamento próprio e que nom duvida em fazer públicas as suas opinions, transgredindo o pudibundo preceito do no comment tam próprio dos que acedem a postos de responsabilidade, como se este os inabilitasse para se expressar com liberdade numa sociedade que aspira á pluralidade democrática própria de todo país avançado.

Arias declarou que veria bem umha consulta pactuada em Catalunha e também opinou que os salários deviam subir para estimular a economia; tanta heterodoxia provocou um profundo mal-estar no empresariado clássico -leiase-se devoto da classe á que pertence

No escasso tempo que leva no exercício da presidência, Antón Arias Díaz-Eimil tivo tempo para declarar que veria bem umha consulta pactuada em Catalunha e que o traslado da sede das empresas que assi o decidírom tem um impacto limitado enquanto permaneçam os seus centros produtivos na comunidade. Também opinou, para escándalo do empresário comum, que os salários deviam subir para estimular a economia. Ademais, e nom é questom menor, as suas intervençons públicas soem ser emitidas em galego fluido e natural. O nunca visto.

Tanta heterodoxia provocou um profundo mal-estar no empresariado clássico -leia-se devoto da classe á que pertence- apesar de a primeira afirmaçom do presidente ser um enunciado democrático que pode servir de inspiraçom á previsível reforma constitucional e a segunda, a consagraçom do salário insuficiente e precário como princípio de filosofia empresarial, ser um dogma mais que discutível da empresa marginal. Ninguém pode ignorar que os países mais avançados sustentam-se em empresas capazes de oferecer soldos satisfatórios a empregados motivados e produtivos. Quanto ao uso do galego, como nom congratular-nos quando assistimos dia após dia ao uso torpe, ritual e ignorante do idioma como demonstraçom do menosprezo em que o têm o seu usuário ocasional!

Conforta saber que há vida inteligente no colectivo empresarial e que a figura do empresário curto de ideias e empachado de lugares-comuns do ideário patronal é desafiada desde dentro

Polo que eu sei, Antón Arias estudou Sociologia na Complutense de Madrid e aspirou em tempos a umha carreira docente até que as exigências do negócio familiar o reclamou para a actividade empresarial prévio passo pola London School of Economics.

A empresa dos Árias, Arias Hermanos Construcciones, foi criada polo seu pai em 1955 e sofreu como todas -especialmente neste sector onde tantas acabárom quebrando- o duro embate da crise. Actualmente, a sociedade mudou de orientaçom e acaba de adoptar a denominaçom Arias Infraestructuras ao tempo que intensifica a actividade em mercados internacionais.

Conforta saber que há vida inteligente no colectivo empresarial e que a figura do empresário curto de ideias e empachado de lugares-comuns do ideário patronal é desafiada desde dentro. Só nos cabe esperar que o exemplo se multiplique; a economia e a sociedade precisam de empresários cidadáns. A responsabilidade social da empresa, RSE, começa aí.

Boas-vindas ao novo presidente.

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