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Ramiro Vidal Alvarinho

Eu estava alí…e outros, onde é que estavam?

No dia 23 de Outubro celebrará-se em Compostela um juízo no que estám encausadas onze pessoas pertencentes a diferentes coletivos e organizaçons, por ter cometido o delito de nom calar perante a provocaçom do supremacismo lingüístico espanhol, que no 8 de Fevereiro de 2009 se manifestava nas ruas de Compostela, claramente para reclamar a liquidaçom do galego da vida pública. Essa é a meta que se marcou Galicia Bilingüe desde a sua fundaçom e, de facto, a reivindicaçom central é a derogaçom da Lei de Normalizaçom Lingüística, o que supom a demoliçom de todo o corpus legal existente que(teoricamente) garante a presença pública da nossa língua, atacando-o pola sua espinha dorsal.

Quê quer Galicia Bilingüe, cada dia está mais claro, e portanto quem aparecer  na mesma foto com Gloria Lago fica irremediavelmente marcado como inimigo declarado da nossa língua. Ainda que a alguns dos que se deixárom ver polo desfile que para esse dia organizou o Kuk Klux Klan lingüístico, nom lhes fazia falta tal gesto; bem lhes supúnhamos o lado do que fumavam.

A questom é que alguns e algumhas dos que nos dizemos defensores e defensoras da língua (e portanto dos direitos de quem usa essa língua) aquele dia decidimos saír à rua também. E responder àquela manda de fascistas doentes que nom eram bem vindos na capital da Galiza, nem estávamos dispostos e dispostas a permitir que utilizáram as nossas ruas e os nossos espaços para insultar a língua galega e quem a utiliza e a sente como própria.

Nom me arrepinto de ter participado num ato de contra-manifestaçom e, além disso, o tempo vai dando a razom aos que decidimos responder a quem chegou para passear a sua sede exterminadora polo coraçom da nossa naçom

Nom me arrepinto de ter participado num ato de contra-manifestaçom e, além disso, o tempo vai dando a razom aos que decidimos responder a quem chegou para passear a sua sede exterminadora polo coraçom da nossa naçom. Poderia respeitar, e de facto formalmente respeitei, a opçom daqueles que ficárom na casa nesse dia, cousa que eles nom figérom comigo; outra cousa é que deixe de tirar as pertinentes conclusons. Diziam que ir alí a intentar reventar-lhes a manifestaçom era “seguir-lhes o jogo”, dar-lhes o que queriam. Mas qual era o jogo realmente? Eu acho que o jogo era um passeio dominical dos fascismos hispánicos polas ruas de Compostela, e depois…depois “nom acontece nada”.  Os “aguerridos” defensores da língua cervantina iriam ao Franco a brindar pola vitória conseguida, sem que o “sempre pacífico”, tolerante e amável povo galego lhes digera nada nem figera nada, a pesar de que um exército de carpetovetónicos com um falsíssimo verniz “progre-moderno” os estivera insultando, dizendo-lhes que som inferiores em origem porque os seus antergos criaram umha língua inferior da que ainda nom renegaram de tudo.

A marcha supremacista nom podia ficar sem resposta, porque nom era um inocente exercício de livre expressom; porque era umha demostraçom de força muito calculada

A marcha supremacista nom podia ficar sem resposta, porque nom era um inocente exercício de livre expressom; porque era umha demostraçom de força muito calculada. Nom é umha questom aleatória nem casual que se escolhera Compostela para a orgia fascista. Se assim for, já me diredes porquê Compostela e nom Bilbau. A pergunta responde-se por si própria. Forom à catoliquíssima Compostela, a conservadora, apacível e blindadíssima Compostela, para que as pedras, os cregos, a omnipresente polícia, os pelegrinos e turistas, as beatas e todos os elementos da paisagem típica da cidade “do Apóstolo” fossem testemunhas bem entusiastas, bem silentes da sua “parada militar”. Isso queriam, e nós iamos-lhes dar a razom? Venhem à Galiza “porque nom acontece nada”, e nós iamos-lhes confirmar os pronósticos?

Estou orgulhoso de ter estado alí para lhes recordar que nom vai ter a festa em paz quem venha insultar esta minha língua, na que tantas geraçons sonhárom, sofrírom, trabalhárom, criárom e, em definitivo, existírom. Estou orgulhoso de ter ido defender a nossa Compostela, alma mater das nossas elites, dos nossos criadores e pensadores, luz para tantos e tantas galegas e galegos que se assomárom desde lá ao mundo do conhecimento superior, lugar onde descansam Prisciliano e os reis galegos, a Compostela do Batalhom Literário, onde se fijo forte o General Solís, a dos Irmandinhos, a dos galeguistas…a Compostela que ficou impingida em cada umha das suas ruas dos sonhos de Murguia, Castelao, Rosalia de Castro, Pondal, Ricardo Carvalho Calero, Alfonso Fandinho Ricart, Maria e Corália, José Pasím…a Compostela das revoltas estudantís e dos primeiros Vinte e cinco de Julho, do primeiro sindicalismo…antifascista, culta e galega, galeguíssima.

Ou pensam que quem desafiou a morte fazendo-lhe frente ao fascismo em 36 havia calar perante a patética exibiçom de umha Gloria Lago flanqueada por Ricardo Sáenz de Ynestrillas, Rosa Díez e Alfonso Rueda entre outros conhezidos fachas?

Quem se arrepujo naquele dia ao desafio fascista de Galicia Bilingüe defendia a memória dessa Compostela, a que contem esse pedaço tam preçado da nossa identidade coletiva e, com eles, com elas, revoltava-se o espírito daqueles inquilinos da Compostela rebelde. Ou pensam os canalhas fascistoides que aqueles que cultivárom a criaçom e o pensamento na nossa língua haviam de permanecer em plácida e cadavérica passividade perante o seu exabrupto xenófobo? Ou pensam que quem desafiou a morte fazendo-lhe frente ao fascismo em 36 havia calar perante a patética exibiçom de umha Gloria Lago flanqueada por Ricardo Sáenz de Ynestrillas, Rosa Díez e Alfonso Rueda entre outros conhezidos fachas?

E é umha questom de dignidade apoiar às pessoas imputadas neste juízo

Essas onze pessoas que vam ser julgadas no dia 23 de Outubro som a pátria viva, mais aló de tópicos, símbolos, ou frases grandiloqüentes para encher a boca e nom dizer nada, e justificar o injustificável…que se somos um povo de paz, que se somos tolerantes; já resulta cansativa tanta ladaínha choromicas. Nom pode haver paz para os traidores e renegados, que traim ao mais granado do fascismo espanhol de excursiom polas ruas da nossa capital. E é umha questom de dignidade apoiar às pessoas imputadas neste juízo.

Acerca de Ramiro Vidal Alvarinho

Ramiro Vidal Alvarinho é escritor e ativista cultural, milita na esquerda independentista e colabora em vários méios digitais cultivando o artigo de opiniom. Também escreve relato curto e poesia.