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Pepe Arias

O dia que deixei de ler Galicia Hoxe

Um bom dia de 1997, o pensador e poeta Jorge Riechmann mostrou com metáforas por que deixava de ler o El País, o jornal que mostrou as vozes ruturistas durante a transiçom para que posteriormente enmudeceram, com umha ediçom estatal onde ainda hoje podemos encontrar a pantasma da dissidência junto com neocons e sionistas, e onde o trato à questom nacional aparece sufocada polas agências e os tópicos esculpidos durante anos.

A morte de Fraga Iribarne pujo acima da mesa umha narraçom, a da transiçom, que nós preferimos denominar em virtude da verdade II Restauraçom Bourbónica, na que os direitos adquiridos pola cidadania nom nascem dos conflitos operários nem das grandes manifestaçons, senom dumha aliança da oligarquia com umha parte da oposiçom antifranquista. Juan Carlos Monedero considera que se fijo o que se pudo, mas que se vendeu umha grande vitória que trouxo consigo umha distorçom da realidade, sendo o Estado espanhol o único no que se pode ser democrata sem ser antifascista. Porque ceder sim que se cedeu, mas apenas dumha parte, por aquelas vítimas que renunciárom a um Nurembergue onde poder reparar o dano causado durante quarenta anos.

Fruto do país que temos, umha editorial conservadora e abertamente espanholista foi a que mantivo a única rotativa diária em galego durante anos. Dando umha autonomia relativa a sua equipa de redaçom, que deu os seus frutos num tratamento nada sensacionalista dos temas do nacionalismo e do independentismo, e com um jornalismo cultural de grande nível, outras seçons fôrom menos cuidadas. Porém, podias encontrar umha notícia sobre a esquerda abertzale traduzida diretamente dumha agência mesetária, sem o sano e profissional contraste de conteúdos, ao mesmo tempo que no espaço cultural se resenhava um livro de Estaleiro Editora, que o ano passado pujo nas prateleiras galegas a autobiografía do político irlandés e militante do IRA Bobby Sands. Ao contrário que Riechmann, nós deixamos de ler Galicia Hoxe quando já desaparecera de circulaçom, e nom encontramos umha reparaçom ajeitada: fomos público carente de meio, e vimos que esse espaço conquistado pola língua e cultura da Galiza ficava reduzido à nada. Apenas a sua pantasma ficou na paisagem galega nos toldos dos quiosques avelhentados que patrocina o El Correo Gallego.

 

Este era o nosso pessimismo da razom, e ainda o é. Porque se tiramos das hemerotecas dos meios integrados vemos um país cheio de iniciativas, que desde há anos carece dum amplificador potente que as poda valorizar de cara aos segmentos mais alonjados dos seus protagonistas.

A luita contra o desmantelamento naval na comarca de Vigo, os pequenos conflitos do professorado mais consciente para que se respeite a língua, a imposiçom de Reganosa em Trasancos ou a outra política municipal da ACE em Cangas som realidades patentes em todo o território, mas que sem um meio de comunicaçom nom podem ultrapassar os limites do localismo, sem que nengumha delas tenha vocaçom cantonalista. Nos seus estudos sobre a difussom do nacionalismo, o ensaísta britático Benedit Anderson em Comunidades imaginadas fai-nos partícipes do papel que tivo a imprensa escrita na primeira emancipaçom de América Latina, pola sua capacidade de transmitir um imaginário coletivo e uns valores.

Os meios de comunicaçom som ferramentas chave para umha sociedade verdadeiramente democrática. Com um sistema cultural domesticado e dependente das subvençons e das mudanças de governo, apenas podemos aspirar a ter umha sociedade civil domesticada, incapaz de diferenciar umha política de estermínio cultural quando os seus gestores a ponhem em marcha, e muda perante o corte de direitos que vivemos atualmente. Nom existiu umha única verdade nos motivos para analisar o feche de meios em galego, que coincidiu com umha mudança de controlo institucional em Sam Caetano. A revista Tempos Novos ou o jornal Novas da Galiza mantivérom as súas ediçons em papel demostrando a sua solvência empresarial, e com tempo e maduraçom nascem novos referentes como Praza Pública. Fruto do tempo e do país no que nos tocou viver, e que nos demonstra todos os dias a sua capacidade para sobrepor-se a todas as adversidades.

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