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André Seoane Antelo

Rústicos incorregíveis

Imaginem o local dumha associaçom cultural sediada em Santiago de Compostela. Nom pensem numha sala, mais bem numha cafetaria. Corre o ano 2013. Um grupo de pessoas mantenhem a rutinária reuniom semanal dum grupo de trabalho centrado na história e o património cultural. Num momento surge a ideia. Maravilhem-se, acaba de nascer umha tradiçom.

O tempora, o mores! As tradiçons som, como todos os artefactos culturais, frutos do seu tempo. Construídas com os vímbios dos que se dispom. E nos nossos tempos, e na nossa sociedade, umha tradiçom bem pode nascer a volta da mesa dum bar. De facto, o raro seria que nasceram ao pé dumha lareira numha noite de invernia, ou nos momentos de repouso mentres o muinho moe o gram. Muinhos farinheiros quedam poucos, mas bares há abondo.

Na nossa sociedade umha tradiçom bem pode nascer a volta da mesa dum bar. De facto, o raro seria que nasceram ao pé dumha lareira numha noite de invernia

Porém, embora as práticas concretas de fabricaçom das tradiçons tenham mudado o certo é que a sua funcionalidade social continua a ser a mesma. As tradiçons ritualizam e celebram cousas que as sociedades que as criam consideram importantes, cousas que merecem ser comemoradas, e para um grupo de pessoas preocupadas pola preservaçom da história do nosso país é bastante lógico querer resgatar e comemorar umha parte do nosso passado como povo que, polas mais diversas circunstáncias, corria o risco de ficar apenas como matéria de estudos académicos.

Já explicamos noutro artigo fai um par de anos que nos levara a eleger o 20 de Março, o dia que o santoral católico dedicou a Sam Martinho de Dume, como data para celebrar a nossa herdança sueva. A proximidade com o Sam Patrício, umha festividade que nos chegou mediatizada polos audiovisuais norteamericanos, facilitava muito o trabalho. A noçom da festa entrara abondo na nossa sociedade, apenas havia que mudar o santo.

Celebremos a memória do Sam Martinho de Dume mas nom esqueçamos celebrar também a heterodoxia daqueles rústicos incorrigíveis que tentou levar ao rego

E esta é possivelmente a lógica mais potente que actua nesta invençom do dia do Sam Martinho de Dume. A lógica da particularizaçom dentro da globalizaçom. Umha relaçom dialéctica que tentamos aproveitar para chamar a atençom sobre um período bem interessante da nossa história e, já de passo, para fazer troula.     

Convidamos-vos pois a que este ano vos somedes à celebraçom participando nalgumha das festas que se organizarám em diferentes locais do país, ou mesmo organizando-a por vós mesmos. O Sam Martinho’s Day é, como todas as tradiçons autenticamente populares, um processo em construçom e está a aguardar por mil e umha aportaçons que a enriquezam. Celebremos pois a memória do Sam Martinho de Dume mas nom esqueçamos celebrar também a heterodoxia daqueles rústicos incorrigíveis que tentou levar ao rego.

Acerca de André Seoane Antelo

Licenciado em História e membro da Comissom de História da Gentalha do Pichel. Candidato por En Marea ao Senado na provincia da Coruña.