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Joám Lopes Facal

De autonomias, mercados e independências

O recorrente debate teórico sobre a capacidade económica das comunidades para desenvolver-se em situaçom de independência tem notável tradiçom em Catalunha e, em menor medida, nas outras duas naçons que configuram esse estado plurinacional que chamamos Espanha. As aspiraçons ao pleno reconhecimento da soberania originária afloram tam logo como se apresenta a ocasiom propícia como demonstram as Repúblicas de 1873 e 1931.

Nos anos vinte do século passado, Carles Pi i Sunyer indagava já em L'aptitud econòmica de Catalunya procurando a sua vitalidade incessante na capacidade de iniciativa e laboriosidade secular do país. Com o mesmo título, dous reputados economistas cataláns, Jacint Ros Hombrevella e Antoni Montserrat, especulavam nos sessenta sobre a capacidade económica de Catalunha para desenvolver-se numha situaçom de independência. O tema é recorrente e alcançou níveis inadmissíveis no torpe lema “Espanya ens roba” criado em má hora polo notário valenciano, Alfons López Tena, brilhantemente refutado por Josep Borrell e Joan Llorach no seu livro Las cuentas y los cuentos de la independencia. Gosto de alcunhar esta mistura de independência, riqueza e insolidariedade como nacionalismo padánico. Nom é o nosso como nom o foi do limpo nacionalismo republicano galego.

A antinomia entre liberdade e capacidade económica das três naçons culturais coexistentes em Espanha é a variável oculta que amolece a vindicaçom nacional galega e aviva as estratégias padánicas que florescem em Catalunha e Euskádi.

Esta apologética secessionista foi sempre devota da argumentaçom contra umha Fazenda comum com um inescusável papel redistributivo em favor das comunidades mais pobres, qualificadas de sociedades parasitárias polo padanismo em vigor.

Tachar de rapina fiscal a funçom redistributiva da Fazenda moderna (incluídos os generosos fundos estruturais da Europa comunitária!) é umha frente de batalha predilecta do argumentário padánico com as balanças fiscais como argumento central. A outra frente é a dos saldos comerciais (exportaçons menos importaçons) entre CC.AA. embora este seja um ponto mais incómodo para fundamentar o pretendido espólio económico. É evidente que umha balança positiva com o resto das Comunidades demonstra duas cousas: a primeira, que o mercado do Estado abjurado é imprescindível para o desempenho económico da naçom oprimida e a segunda que esta seria altamente vulnerável a qualquer movimento de boicote anti-separatista: queres ser independente? Bom, eu nom compro os teus produtos.

Paremos mentes nesta questom das balanças comerciais, tam propensa a alimentar fantasias de omnipotência. Falamos dos trocos comerciais entre CC. AA. (saldo interior) e destas com o estrangeiro (saldo exterior). Partimos dos dados fornecidos por c-Intereg para 2016. As cifras, em milhons de euros, representam o comércio de bens e excluem portanto actividades de serviços como os bancários e turísticos.

A primeira conclusom é o facto de Catalunha encabeçar o ranking por saldo interior com vendas ao resto de Espanha de 17.548 milhons por riba das suas compras, e o de Madrid ocupar a posiçom inversa: compra ao resto das comunidades em volta de 14.000 milhons por riba do que lhes vende. A balança comercial catalã positiva confirma a potente contribuiçom da Catalunha á satisfaçom da demanda do resto de Espanha e, ao mesmo tempo, a sua vulnerabilidade a qualquer movimento de boicote aos seus produtos. Os movimentos de deslocaçom de sedes empresariais no processo independentista catalám tenhem aqui a sua razom de ser. A voracidade da procura madrilena tem como contrapartida oculta a massiva entrada de recursos por via de transferências do resto de Espanha. Afinal, Madrid é a capital do capital e o centro da governança.

Galiza, como a Andaluzia, Castela e Leom, Navarra e Múrcia mantenhem um virtuoso superavit interior e exterior, com Galiza em posiçom de franca fortaleza. Do ponto de vista comercial, a economia galega conseguiu ganhar umha confortável posiçom que casa mal com a debilidade relativa exibida em termos de PIB por habitante. Os 21.358 euros por habitante da Galiza (88,6%), ficam longe dos 24.100 (100%) do conjunto de Espanha e nom digamos dos 32.723 (135,8%) do País Basco.

Além dumha sólida posiçom comercial, tanto interior como exterior, Galiza guarda um notável equilíbrio no plano fiscal, sem excessiva dependência de transferências compensatórias.

A tradiçom nacionalista galega nom tem raiz económica nem etnicista senom cultural. A futuro, a preferência inclina-se pola soluçom confederal com um programa máximo que nom nom visa a independência senom a reintegraçom da pátria portuguesa. Assi é desde Castelao. Sábias posiçons que é urgente reactivar. Do café para todos nasceu o pesadelo que alarma a toda Europa, na revisom constitucional pactuada por um Estado plurinacional pode estar a soluçom caso haja estadistas á altura. Galiza quer estar presente devolvendo o café nom solicitado e exigindo Política. Há alguém á escuita no Parlamento galego ou devemos recorrer a umha ampla movimentaçon social, orfa e plural, capaz de conjurar o intolerável regionalismo consentido?

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