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Carlos C. Varela

Silêncio e poder. Música e barbárie

“O silêncio –di Saramago- é a terra negra e fértil, o húmus do ser, a melodia calada baixo a luz solar. Caem sobre ele as palavras. Todas as palavras”. Do mesmo jeito que conforme se invoca desaparece, o silêncio é o complemento imprescindível para que a palavra ou a música seja possível. Nos cárceres atinge todo o seu significado aquela frase que abrolha cada vez mais nas ruas de Compostela e Lisboa: “Espanhóis, respeitem o silêncio galego/português”. Mal-estar partilhado por outros estrangeiros, sobretodo os das repúblicas ex–socialistas.

Nos cárceres atinge todo o seu significado aquela frase que abrolha cada vez mais nas ruas de Compostela e Lisboa: “Espanhóis, respeitem o silêncio galego/português”

Os dominantes imponhem sempre o silêncio, desde o “cala mulher, que ti disto nom entendes” até a censura lingüística; ao mesmo tempo que consideram ruidosos os dominados: os índios som buliciosos, as mulheres berronas e as galegas “falam bruto”.  “Observe-se –indica Joseba Sarrionandia- o duplo sentido que possui a palavra ‘algarabía’ em castelhano: ‘lengua árabe’ e ‘galimatías’, ‘bulla’, ‘lío’, ‘confusión’. Por isso os ilustrados espanhóis qualificam o éuscaro de “algarabía”. A palavra ‘bárbaro’ e a sua equivalente árabe, ‘berbere’, derivam do remedo do jeito de falar dos estrangeiros: “blá blá blá”. O selvagem nom fala, fai ruído.

Se antes governava a ditadura do silêncio: a proibiçom da palavra; agora rege o império do ruído: a proibiçom do significado

Se antes governava a ditadura do silêncio: a proibiçom da palavra; agora rege o império do ruído: a proibiçom do significado. Por isso os zapatistas se rebelam, “para que a palavra nom se perda entre o ruído”, porque “o governo tem o dinheiro e o poder para que haja muito ruído de paz e o som de guerra nom se escuite”. Várias culturas indígenas tenhem o costume de erguer no centro da aldeia umha cabana chamada Casa da Palavra, umha ágora, um parêntese entre o ruído em que poder falar. A emissom 24 horas, o bombardeio informativo, o tsunami de palavras, o alto-falante omnipresente –tanto numha carreira popular como na sala de um velório-, destruírom todas as Casas da Palavra. Se desligássemos a música, a desolaçom que povoa as discotecas ficaria despida, e a gente nos metros a soas com o seu próprio vazio. No mesmo movimento no que destruírom a música do silêncio vendem-nos enlatadas as sinfonias dos bosques e fervenças. No mesmo gesto com o que Duchamps meteu o urinário numha exposiçom de arte, John Cage compujo o seu 4’33’’,  quatro minutos e trinta e três segundos de parêntese, de silêncio, de “terra negra e fértil, o húmus do ser”. Com Karl Kraus, “o que tenha algo a dizer que dê um passo à frente e cale”. Para que onde há deserto haja terra.

Mas nom só se oprime considerando ruído à dominada, ás vezes fai-se reduzindo a palavra a música: a “voz sedosa” da mulher, o galego “lírico” que “parece que canta cuando habla”

Mas nom só se oprime considerando ruído à dominada, ás vezes fai-se reduzindo a palavra a música: a “voz sedosa” da mulher, o galego “lírico” que “parece que canta cuando habla”. A música, como tantas outras dimensons culturais, foi cindida do resto da vida durante a Modernidade. Esquecemos que era umha atividade total, em que o aspeto estético nom se podia discernir do lúdico, do relacional, do físico ou do religioso. Os pigmeus do Congo convertem os remansos dos rios em tambores de água; na cultura popular galega a música adjetiva e acompanha as facetas e tarefas da vida: cançons de arrolar, cançons dos fiadeiros… Até que se operou o que Bourdieu chama “divórcio intelectualista”, entre o que os poderosos consideram atividades inferiores de corpo, e as superiores do intelecto. No caso da música, evidenciado no processo de separaçom a respeito da dança que assinala Max Weber.

No cárcere de Topas vendem-nos leitores de CD, mas nom nos deixan comprar música

Quando os EUA pugérom o regime talibám no ponto de mira, o jogo mediático de cobertura falava de um governo que proibia a música. Mas nom fazia falta ir a Cabul. No cárcere de Topas vendem-nos leitores de CD, mas nom nos deixan comprar música. Ao perguntar-lhe ao Departamento de Comunicaçons da prisom a razom de que nom me entregassem uns CD’s de música –Zënzar, Seu Jorge e John Coltrane- que me meteu a família no pacote, respondérom-me com umha consigna de guerra:  “Los CD’s de música NO PASAN”.

Carlos Calvo Varela. Cárcere de Topas, 29 de  janeiro de 2013

Acerca de Carlos C. Varela

Carlos Calvo Varela (Ordes, 1988) foi detido pola Policía Nacional o 15 de setembro do 2012 en Vigo e desde aquela está en prisión. Actualmente atópase no cárcere de Villabona (Asturias), despois de ter pasado neste tempo por sete cadeas diferentes e pasar varios procesos xudiciais. Finalmente, foi condenado a sete anos de cadea por "colaboración terrorista"; e foi absolto noutro proceso no que lle pedían outros 16 anos de prisión. Ten sido sometido a numeras vulneracións dos seus dereitos. Entre outros, sofreu case unha vintena de cacheos ilegais en centros penitenciarios en diferentes anos, accións polas cales os tribunais condenaron ao Estado a ter que indemnizalo cun total de 5.000 euros en conceptos de danos causados á súa persoa.

Colaborador de varios medios de comunicación, estudante de Filosofía e de Antropoloxía e investigador, ten publicado, e sigue a facelo, numerosos artigos en portais web, periódicos, revistas e libros, ademais de realizar un importante labor como dinamizador social e cultural en diferentes agrupacións de Compostela e da comarca de Ordes.

A Rede de Apoio a Carlos Calvo abriu ao pouco da súa detención o blog e o facebook De volta para Loureda, medios a través dos cales se vai dando conta das novidades relacionadas con Carlos e do seu día a día na prisión e que tamén pretende ser un punto de encontro que apañe canta solidariedade sexa posible para el e para todos os presos que se atopen en situacións semellantes.