Fora da Galiza também há galeguistas de mérito

Pepe El Ferreiro © RTPA

Gostaria de fazer com este artigo uma pequena e mais que merecida homenagem a essas pessoas que trabalharam e trabalham com intensidade e coerência ao longo das suas vidas a favor da nossa língua e cultura sem serem galegas de origem nem de residência

Gostaria de fazer com este artigo uma pequena e mais que merecida homenagem a essas pessoas que trabalharam e trabalham com intensidade e coerência ao longo das suas vidas a favor da nossa língua e cultura sem serem galegas de origem nem de residência. Acho que todas elas, com os seus indiscutíveis méritos, deveriam figurar com pleno direito num possível santoral das figuras históricas do galeguismo, no que acostuma haver uma repetição constante de certos nomes, como se não existissem outros que, de jeito muito injusto, nunca acostumam aparecer.

Se calhar, muitos galegos e galegas se surpreendam de que se possa ser galeguista sem ser galego. Mas isso é uma possibilidade real tendo em conta que a Galiza a nível linguístico e cultural não acaba nas suas fronteiras administrativas, senão que se prolonga pelos territórios doutras comunidades autónomas, constituindo todo esse extenso conjunto a mesma nação cultural. Referimo-nos à denominada Galiza estremeira, quer dizer, às terras vizinhas do Eo-Návia, do Bierzo e das Portelas, e às da mesma Galiza.

Felipe Lubián, alcalde de Lubián © Concello de Lubián

Se calhar, muitos galegos e galegas se surpreendam de que se possa ser galeguista sem ser galego. Mas isso é uma possibilidade real tendo em conta que a Galiza a nível linguístico e cultural não acaba nas suas fronteiras administrativas

Do Eo-Návia desejaria lembrar ao já falecido Pepe el Ferreiro ou, com o primeiro nome, Xosé María Naveiras Escanlar (Grandas de Salime, 1942), ferreiro de profissão, vice-presidente da Mesa prá Defensa del Galego de Asturias, criador e director na sua vila natal do impressionante Museu Etnográfico, no que se pode compravar que as expressões da cultura material eonaviega e a galega são praticamente idênticas. 

Da mesma comarca setentrional, da que saiu o escritor e professor Armando Cotarelo Valledor e na que repousam os restos mortais do bibliófilo e mecenas Fermín Penzol, querería manifestar o meu reconhecimento a Benigno Fernández Braña (Boal, 1945), o médico de familia que fundou o grupo Eilao Pro-Defensa da Nosa Lingua em 1986 e a Mesa das Astúrias, da que foi presidente, por toda uma vida de activismo em defesa da variante da língua galega do Eo-Návia.

Mais ao sul, nas terras bercianas, nas que viveu o poeta Antonio Fernández y Morales, que espera desde há anos o seu Dia das Letras Galegas, como já o teve o frade vilafranquense Martín Sarmiento, nasceu o professor e escritor Xabier Lago Mestre (Ponferrada, 1967). Foi fundador e é porta-voz do coletivo Fala Ceibe do Bierzo. Esta entidade principiou em 1990 a sua actividade, quando o alunado do IES Álvaro de Mendaña de Ponferrada começou a pedir a matéria de língua galega no seu centro escolar. Muito leva lutado desde aquela essa associação, até conseguir que nas leis autonómicas de Castela-León e nas comarcais do Bierzo aparecesse uma referência à proteção da língua galega, que se implantasse nos centros, para que se respeite a toponimia -com pintadas nas ruas e estradas- e recentemente para que continuasse funcionando o repetidor de Corullón, que permite que a TVG se veja no Bierzo. 

Pepe El Ferreiro © RTPA

Como fundador en 1981 da associação cultural Escola de Gaitas de Vilafranca -ente essencial para a conservação da cultura berciana- destacou-se Héctor Silveiro Fernández, um vulto na recuperação da Festa dos Maios em Vilafranca, na incorporação da língua galega nas escolas bercianas e portelás e na organização da Comisión Cultural Martín Sarmiento, que desenvolve cada 9 de março os actos do Dia do Galego no Bierzo.

Por último, nas Portelas devo-me referir a Felipe Lubián Lubián (Lubián, 1952), mestre, director de centro escolar, alcaide do Concelho de Lubián e activista permanente em defesa da língua galega e da cultura da Alta Seabra. Contribuiu com os seus decisivos esforços a que a língua galega ficasse no texto do estatuto de autonomia de Castela-León com proteção legal. 

No mesmo território estremeiro cumpre citar Horacio Rodríguez (San Cibrán de Hermisende, 1926-2007), um lavrador que foi um invulgar depositário de léxico, transmissor da língua galega, da música popular e da literatura oral das Portelas. No seu concello existe um museu etnográfico que ele se encarregou de criar.

Nas piores condições possíveis, sem subsídios nem apoios oficiais, mesmo com a sua oposição, carentes de apoios políticos e sindicais, com a incompreensão e a indiferença de muitos sectores sociais estes galeguistas tiveram de pelejar com muita perseverança para defenderem a sua língua e a cultura de raíz galega das suas comarcas. 

Pelo seu enorme labor e evidentes merecimentos desejo expressar um profundo agradecimento e poder contribuir para que a homenagem seja permanente.

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