O Eo-Návia, com diversas denominações no passado, como Terra de Ribadeo, Entrambasaugas, Honor de Suaróm e de Grandas, Antigo Concelho de Castropol, constitui uma região de fronteira, administrativamente asturiana, mas culturalmente próxima à Galiza
É bem sabido que a língua galega e a cultura galega tradicional prolongam-se fora das fronteiras administrativas da Galiza. As comarcas do Eo-Návia, do Bierzo e das Portelas são partes da realidade cultural e social da galeguidade.
Do meu estudo de campo e traballo bibliográfico sobre a Outra Galiza, como a prefiro chamar, saiu como primeiro fruto o livro publicado pela editora Medulia A Comarca do Eo-Navia. A galeguidade en Asturias, que está a ter um muito satisfatório seguimento.
Procurou-se cobrir um grande vazio, ao se tratar do primeiro escrito sobre esta terra asturiana mesopotâmica situada entre os rios Eo e Návia, ambos com mananciais na Galiza. Ofereceu-se nele uma panorâmica completa dos dezoito concelhos que a compõem: geografia, história, deslumbrante património natural, património histórico, características da fala, literatura eonaviega, arquitetura tradicional, etnografia, lendas, gastronomia, realidade socioeconómica e figuras históricas.
O Eo-Návia, com diversas denominações no passado, como Terra de Ribadeo, Entrambasaugas, Honor de Suaróm e de Grandas, Antigo Concelho de Castropol, constitui uma região de fronteira, administrativamente asturiana, mas culturalmente próxima à Galiza. A sua galeguidade experimenta-se na língua, lendas, contos e histórias populares, literatura, cultura tradicional, música popular, arquitetura tradicional, ciclo festivo, gastronomia e mitologia. Porém, apesar da sua vizinhança física e cultural, vive afastada da Galiza e é em boa medida uma desconhecida para os galegos e galegas. Um ótimo objetivo seria o de normalizarmos as relações a todos os níveis entre eonaviegos e galegos. Acho que deveríamos conhecer e familiarizar-nos com o Eo-Návia por ser parte da nossa nação cultural.
O galeguismo cultural e político interessou-se pela comarca estremeira já desde o século XIX. Com o máximo respeito, mas tentando contribuirmos com pragmatismo e valoração da sua identidade própria, deveríamos apoiar uma opção galega para a fala, como a que defende a associação eonaviega Axuntar, por ser a mais realista e rendável para a sua conservação e desenvolvimento
O galeguismo cultural e político interessou-se pela comarca estremeira já desde o século XIX. Com o máximo respeito, mas tentando contribuirmos com pragmatismo e valoração da sua identidade própria, deveríamos apoiar uma opção galega para a fala, como a que defende a associação eonaviega Axuntar, por ser a mais realista e rendável para a sua conservação e desenvolvimento.
Até agora às autoridades das Astúrias não lhes interessou muito proteger tão rico patromónio linguístico e cultural. Mesmo, com muita irracionalidade, tentaram desviartuar a sua variante lingüística galega -com reconhecimento unánime da ciência filológica- por meio de interferências artificiais com a língua asturiana. Também designando à Academia de la Llingua Asturiana, como encarregada da sua normativização. Isso seria tão demencial como estabelecerem que a Academia Francesa tivesse a função de regulamentar o inglês. Mesmo seria muito mais sensato que apoiassem a criação de uma Academia Eonaviega da Língua Galega.
Não são capazes de entender o valor da cultura eonaviega e a necessidade da sua preservação, e de verem que se pode ser um perfeito cidadão eonaviego e asturiano falando a variante galega comarcal. Apesar de que as Astúrias contem com duas línguas autóctones, a galega eonaviega e a asturiana, ambas mercedoras de protecção no seu âmbito territorial correspondente.
Até agora às autoridades das Astúrias não lhes interessou muito proteger tão rico patromónio linguístico e cultural. Mesmo, com muita irracionalidade, tentaram desviartuar a sua variante lingüística galega -com reconhecimento unánime da ciência filológica- por meio de interferências artificiais com a língua asturiana
O galego eonaviego continua muito vivo. A percentagem dos falantes em vários concelhos é superior à de muitos da Galiza. A quadro de poetas e escritores eonaviegos na variante galega é excepcional para o reduzido número de habitantes da Comarca, havendo uns quarenta ativos com obra publicada, coisa que infelizmente não sucede no Bierzo.
O Eo-Návia, como território com personalidade singular, necessitaria ser reconhecido oficialmente como comarca e contar com as competências oportunas, como sucede com a do Vale de Arão, na de Catalunha, ou a do Bierzo, na de Castela-Leão. Também se precisaria a normalização do galego eonaviego e a sua co-oficialidade.
Para as Irmandades da Fala e o Partido Galeguista existia a doutrina essencial do pangaleguismo: “A Galiza histórica e natural não está compreendida nos lindeiros da Galiza administrativa dos nossos dias. Necessita-se manter a sua galeguidade, estimulando o intercâmbio amistoso com ela.”
Esse objetivo fundamental, hoje um tanto esquecido, não pode ser coisa do passado, senão estar plenamente vigente.