Caro Isaac

Isaac Díaz Pardo, no Parlamento galego © Parlamento de Galicia

Querido Isaac

Parabéns bem merecidos polo reconhecimento que hoje te fizeram desde a Academia de Artes da Galiza. Toda Galiza está em dêveda contigo em quanto mantenha tua lembrança agradecida.

Do ponto de vista artístico fostes insuperável, por rigor e por originalidade.

Do ponto de vista galego foste um dos mais fieis filhos da Galiza. Coerente e constante na tua entrega. Ficam para sempre as imagens das formas e das cores que soubeste dar como elementos que definem a nossa identidade estética do queira que vaiamos.

Também foste generoso. Mantendo aceso o facho da cultura galega em todas as suas aceções: Gráfica, plástica, científica, literária. Em fim tu sozinho construiste um acervo universitário completo. Tu fizeste uma universidade independente de administração e da política do momento. Lembro os encontros de Geologia do Noroeste Peninsular com participantes vindos de todas as partes do mundo acolhidos por ti, com generosidade exemplar, nos locais do Castro de Samoedo, onde nada faltava para aqueles intercâmbios científico singulares e excecionais. Parga Pondal ainda tem presidido alguns daqueles eventos. E Mimina acompanhava com sua presença discreta e de educação “esquisita” .

Tu salvaches e guardaches os fundos do Laboratório Geológico de Laxe que Parga Pondal construira durante a maior parte da sua vida. Devemos a Vidal Romaní a grande responsabilidade de preservar todo esse legado agasalhado na Universidade da Corunha no Instituto Universitário de Xeologia.

No Castro também mantinhas o Museu Carlos Maside de Arte moderno, um exemplo de vanguarda e de qualidade artística dificilmente superável.

A todas e a todos deste ajuda material e simpática.

Varias Jornadas do Ensino da Galiza se celebraram também no Castro sob o teu suporte logístico e económico.

Creio que na nossa história não existe uma figura tão magnânima e tão completa como tu. Somente citando a coleção da Recuperação da Memoria histórica da Galiza teríamos para fazer uma tese de doutoramento.

Fizeste tu sozinho o que devera ter feito um governo. Eu encontrei em ti um amigo, e um apoio importante das minhas primeiras publicações de criação literária, Vento de Amor ao Mar, A janela Aberta, Madeira de Mulher, Atlãntidae, O Mistério da Escada Interior, etc foram livros que tu generosamente deste ao prelo com selo do Castro, sem por nenhum inconveniente pelo que diz a respeito da normativa nem qualquer género de censura. Sempre estiveches presente nos atos de reivindicação galega e republicana fazendo esforços quando já a forças te faltavam. Como aquando a chegada dos restos de Castelao. Mantiveches-te do lado do povo protestando pola farsa que se estava a representar. Mália que alguém do Governo galego viera te procurar. Tu respostaches: “ O meu sitio é aqui, com o povo, não com as autoridades”. Sei-no porque eu estava ao teu carão.

Em ADEGA demos-te o primeiro Prémio Oxigeno ao mérito duma vida sendo eu daquela presidenta de ADEGA. Lembro aquele dia em que desaconselhavam viajar por mor duma forte nevada e geada, mas tu vieste ter connosco a Compostela para não desprezar o modesto, mas sincero reconhecimento que a nossa Associação fazia a tua grandeza. Eu orgulho-me de ser galega não somente por ter tido o privilégio de pertencer a esta Terra viçosa, rica, culta e antiga, mas também por partilhar a minha Patria/Matria com pessoas coma ti. Que marcam o caminho da dignidade da vida e do compromisso com a Terra e a Cultura.

Que o povo da Galiza nunca esqueça os teus trabalhos, esforçado cavalheiro da cultura, das artes e das letras.

Caro Isaac. A ti, bem haja.

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