A indústria têxtil, e de jeito especial a denominada como low cost, constitui no presente uma das atividades fabris mais poluentes no mundo
A indústria têxtil, e de jeito especial a denominada como low cost, constitui no presente uma das atividades fabris mais poluentes no mundo. Os tecidos sintéticos, sobretudo o poliéster, são os principais responsáveis do incremento exponencial da poluição devida aos microplásticos, que já está a afetar gravemente terras, rios, mares e oceanos. Alén disso, a enorme sobreprodução têxtil mundial contribui muito à mudança climática.
Geram-se cada ano, por exemplo, em Europa 12,6 milhões de toneladas de lixo de roupa e de calçado, o que representa uma média de uns 16 kg por pessoa. E na sua maioria não se chegam a recolher por separado, acabando em vertedoiros ou na incineração. Esses tecidos sintéticos são impossíveis ou muito difíceis de reciclar.
Os poderes públicos estão começando timidamente a reagir perante esta grande desfeita ambiental. Assim, no 1 de janeiro de 2025 o Estado espanhol incorporou, por meio da Lei de Resíduos e Solos Contaminados, a obriga de incluir as peças de roupa, o calçado e os complementos na recolhida seletiva dos concelhos. Mas tudo transcorre devagar.
Geram-se cada ano, por exemplo, em Europa 12,6 milhões de toneladas de lixo de roupa e de calçado, o que representa uma média de uns 16 kg por pessoa
Outra porção da roupa usada é enviada como entulho pelas empresas dos países com maior desenvolvimento económico e consumo a alguns do Terceiro Mundo, produzindo neles um enorme impacto ambiental. Desse modo, sem encontrarem uma solução, vão-se formando descomunais montanhas de roupa em espaços naturais como o deserto de Atacama (Chile) ou noutros situados nas nações africanas de Gana ou do Quênia. Em Sófia, capital da Bulgária, as famílias mais pobres utilizam os restos têxteis da Europa mais rica nos seus fogões como aquecimento, convertendo por esse motivo a cidade na mais poluída do continente.
Outra porção da roupa usada é enviada como entulho pelas empresas dos países com maior desenvolvimento a alguns do Terceiro Mundo. Vão-se formando descomunais montanhas de roupa em espaços naturais como o deserto de Atacama
Urge, pois, a redução do consumo de roupa e medidas políticas e institucionais que a façam viável. Uma delas seria que as corporações multinacionais do têxtil que, além de un notável poder económico, contam com muita influência nas instituições europeias e estatais, devam pagar impostos pela poluição que produz a sua moda rápida ou de baixo custo, coisa que ainda não acontece, mas terá de suceder nos próximos anos. Os seus gigantescos lucros económicos reduzirão-se se as obrigan a reciclar ou a pagar mais por mor de não fazê-lo. Ou mesmo poderão entrar em crise se ao anterior se lhe engade um descenso sensato no consumo.
Não podemos considerar como comportamento cidadão responsável, progressista e ecológico o habitual de muitas pessoas, ao irem constantemente às lojas dos centros comerciais para comprar principalmente roupa low cost
Não podemos considerar como comportamento cidadão responsável, progressista e ecológico o habitual de muitas pessoas, ao irem constantemente às lojas dos centros comerciais para comprar principalmente roupa low cost, seguindo os conselhos das chamadas influencers, e aos poucos dias e com poucos usos atirá-la ao lixo. Isso infelizmente parece que o faz ainda muita da mocidade mais consumista e menos conscientizada. Trata-se, portanto, de uma moda que se deveria ir.
Pelo contrário, sería ótimo que todas e todos fizéssemos um uso prolongado do vestuário, uma maior reutilização e depois, quando já não sirva, a sua reciclagem. E que os fabricantes a desenhassem sempre para possibilitar uma reindustrialização circular, melhorando a sua durabilidade, reparabilidade e reciclabilidade, coisa que não estão a realizar, ainda que afirmem o contrário.
É mais racional, ecológico e preferível para a economia familiar, quando for necessária uma peça, comprá-la no mercado de segunda mão, como também qualquer das procedentes da chamada moda vintage
É mais racional, ecológico e preferível para a economia familiar, quando for necessária uma peça, comprá-la no mercado de segunda mão, como também qualquer das procedentes da chamada moda vintage. Com tanta roupa para escolhermos como a já existente no mundo neste momento não seria na prática indispensável fabricarem mais no vindouro quinquénio.
A abertura constante de lojas de roupa e calçado de segunda mão, com ofertas muito econômicas, de qualidade e lindas é uma prova palpável de que se está a produzir uma transformação muito positiva nos hábitos, e de que já há uma parte crescente da sociedade atual que está cada vez mais comprometida com o consumo responsável. As cidades galegas não estão a ser uma exceção a esta tendência geral. Assim, por exemplo, o vibrante e multicultural bairro corunhês da Agra do Orzám converteu-se nos últimos tempos num recomendável centro comercial aberto, pelas suas inúmeras lojas de roupa de segunda mão variada, de qualidade e com preços baixos. É, com certeza, o que aos poucos está a vir.