Vance, Musk, Bannon formam a trindade tóxica que habita no coraçom da Casa Branca ao serviço do matom disfarçado de cabaça que a habita
Vance, Musk, Bannon formam a trindade tóxica que habita no coraçom da Casa Branca ao serviço do matom disfarçado de cabaça que a habita. Difícil decidir qual dos três é mais tóxico ainda que o grau de influência sobre o imperador laranja parece conceder umha ligeira vantagem a Musk, o astrólogo do trio. Musk é descendente directo do apartheid sul-africano mas também J.D. Vance, que exerce de Vice-presidente —católico devoto, licenciado nas universidades de Ohio e Yale em ciências políticas e direito e reconhecido cronista do ressentimento da América profunda retratada na sua novela Hillbilly— ocupa o posto de conselheiro áulico reconhecido. Por último, Esteve Bannon, campeom do supremacismo isolacionista e desapiedado, pura encarnaçom da estrema direita ultraconservadora que inspirou meios como Breitbart News ou Cambridge Analytica —a quem deve Trump a vitória na sua primeira campanha eleitoral e o Brexit o seu êxito— exerce de estratega provado. As relaçons mútuas som precárias e instáveis, apenas preservadas polo vínculo do poder.
Um sanedrim tóxico e disruptivo cujos efeitos apenas começam a transparecer na geopolítica global. Que tantos analistas recordem nestes momentos a irrupçom das políticas xenófobas dos anos trinta, é um péssimo pressagio e um recordatório da actual situaçom presidida por umha serra mecânica, símbolo da omnipotência do poder. Mentres, a democracia parece ter perdido validez enquanto a demanda de políticas autoritárias convoca multitudes.
O universo das políticas qualificadas de woke que resume a normativa de convivência e solidariedade é objecto de burla e desprezo. Santiago Abascal —quem o iria dizer— é um visitante celebrado na Casa Branca onde é recebido com honores de chefe de Estado. Maus tempos nunca faltárom —O tempora, o mores— mas poucos como estes carregados de dólares, bombas, prepotência, e apetite irrefreável de saqueio.
A convençom conservadora CPAC de 22 de Fevereiro do presente ano em Washington foi convertida numha autêntica cerimonia de entronizaçom do novo imperador e os seus validos sob o lábaro imperial de MAGA que pretende conjurar o medo à decadência e ao descrédito mundial que aninha na sociedade americana. O acto abalou com força no cenário internacional. Na Uniom Europeia estendeu-se umha sensaçom de orfandade e final de época com demanda de urgente reparaçom. A Uniom só pode contar já com as suas próprias forças e com a necessidade de confederar as agendas nacionais. De pronto, estamos instalados no trumpismo, calamidade planetária que ninguém viu chegar. Agora mesmo, começos do mês de Março de 2025, a totalidade de mandatários comunitários debatem a revisom das políticas de defesa comum e o seu financiamento. No meio do cenário assoma o sorriso viperino de Vladimir Putin, trás da queda dum mundo onde a OTAN parece ter perdido todo sentido e o genocídio de Gaza é convertido em banal videoclipe para regozijo de Benjamin Netanyahu mentres os Kim Jong-un, Viktor Orbán, Giorgia Meloni, Javier Milei, Jair Bolsonaro, o primeiro ministro eslovaco Robert Fico, e a escura bazófia da Fundaçom Patriotas junto com Jordan Bardella e Nigel Farage desfilam em triunfal procissom. No concorrido festival nom podiam faltar os memes de difusom massiva como motosserras e cripto moedas que a tropa trumpista adora. Em pleno delírio, Donald Trump, que insiste em anexar-se Groenlândia, Canadá e o Canal de Panamá declara "Muitos afirmam que o primeiro mês da nossa presidência é o mais exitoso da história da nossa naçom e o que é mais impressionante ainda, sabedes quem é o número dous? George Washington!”. Fantasias dum bebé malcriado que diverte o mundo com os seu gracejos mentres esgrime toda a panóplia do seu omnímodo e imprevisível poder imperial. É para tremer embora tenhamos o consolo de contar com apenas quatro anos de improrrogável mando que lhe concede a Constituiçom e a disposiçom de Europa a reverter o dano afastando-se sem perder tempo duns Estados Unidos definitivamente alheios.
Na convençom conservadora CPAC de 22 de Fevereiro, Vance congratulou-se dos êxitos alcançados num mês de presidência e de ter deixado em ridículo à Uniom Europeia num acto em Munique símbolo da odiada filosofia woke —progressista— e dum molesto contrapoder à estratégia neo-imperialista em curso
Na convençom conservadora CPAC de 22 de Fevereiro, Vance congratulou-se dos êxitos alcançados num mês de presidência e de ter deixado em ridículo à Uniom Europeia num acto em Munique símbolo da odiada filosofia woke —progressista— e dum molesto contrapoder à estratégia neo-imperialista em curso. J. D. Vance, provável herdeiro político do magnate caso os democratas nom consigam reactivar o bom tino na sociedade norte-americana. Quatro anos por diante para tentar erradicar o poder das elites liberais é o programa em curso.
A emoçom desbordou na Convençom quando Elon Musk —imagem do triunfador tam grata na sociedade americana— apareceu-se-lhe aos devotos com Milei e a sua inefável motosserra em riste. Um espectáculo à altura de um medíocre entertainer televisivo com o que Trump se identifica vítima do seu irrefreável histrionismo. Curioso personagem o que agora arbitra a geoestratégia mundial. Um palhaço rodeado de perversos aliados como Putin e Netanyahu.
O nível de despropósito exibido alcançou níveis desconhecidos com a encomenda a Elon Musk de dirigir um “departamento de eficiência governamental” que parece desenhado a-propósito para o serrote de um Milei abduzido à Casa Branca desde a Casa Rosada em horas baixas. Nom podemos por menos de matinar nas grandes universidades americanas, nos seus Nobel de economia e analistas; gostaríamos escuitar as suas vozes extraviadas na sáfia barafunda.
Até quando este vendaval de néscia prepotência? Ficamos à espera do juízo da Junta de Governadores da Reserva Federal, criada em 1913, ou do todo-poderoso Wall Street ante tanto despropósito alfandegário e fiscal.
Nesta regueifa mundial de gorilas batendo no peito, o imperador supremacista de índole extractivista dialoga com o pequeno czar de cote escarranchado nas poltronas do Kremlin, como se fossem incapazes de conter tanto poderio
Nesta regueifa mundial de gorilas batendo no peito, o imperador supremacista de índole extractivista dialoga com o pequeno czar de cote escarranchado nas poltronas do Kremlin, como se fossem incapazes de conter tanto poderio.
A resposta a todo este caos véu do país mais ameaçado polo expansionismo do Kremlin. Donald Tusk, primeiro ministro polaco e europeísta convencido, tam serena como contundente1. Sólidas razons à altura da dialéctica bélica esgrimida polo displicente ex agente da KGB.
Europa, recordou-lhe o nosso Donald à plana maior do Kremlin, acolhe umha populaçom de 500 milhons de habitantes, muito superior aos 300 milhons de norte-americanos e nom digamos dos 140 milhons russos. Em termos militares, tam gratos ao belicismo russo, Europa conta com 2,6 milhons de soldados —incluído os ucranianos que aguardam as portas da Uniom—os estado-unidenses nom superam os 1,3 milhons enquanto Rússia tem em filas 1,1 milhons e a China 2 milhons. Mais ainda, a Europa possui 2.000 avions de combate, os EUA e a China 1.456 e Rússia 1.224. Europa entra no cenário exibindo poder.
A resposta a todo este caos véu do país mais ameaçado polo expansionismo do Kremlin. Donald Tusk, primeiro ministro polaco e europeísta convencido, tam serena como contundente
A Uniom Europeia goza de umha inegável vantagem que Rússia nom pode igualar. O potencial bélico e económico de Europa permanecia latente em espera da sua emergência. Menosprezada por Trump, desdenhada por Putin, este é o seu momento, protagonizado por França, respaldado pola Grã Bretanha e mesmo com a cumplicidade manifesta de Turquia.
Adormecida desde a pós-guerra mundial e entregada ao engado da amizade dos EUA, a Uniom acaba de despertar do seu letargo abaneada polos maus modos do novo xerife da Casa Branca e a ousadia agressiva do Kremlin com a dor pungente da Ucránia incrustada no costado. Um despertar amargo mas também benéfico. Sapere aude, aconselhava Kant, supera a tua menoridade!
A hora é chegada, nom há volta atrás, a vigília permanente impom-se. Agora, Europa explora o seu caminho inescusável, baseado na cooperaçom reforçada e mesmo quem sabe? na resurreiçom daquele esquecido projecto de Constutuiçom Europeia enterrado apressuradamente em 2004.
Notas
1 https://www.europapress.es/internacional/noticia-primer-ministro-polaco-asegura-europa-gigante-despertado-20250302124919.html